O trabalho desenvolvido pela Vigilância em Saúde de Montenegro no combate à esporotricose vem apresentando resultados positivos e contribuindo para a redução da circulação da doença no Município. Por meio do programa Melhor em Casa Animal, a equipe realiza visitas domiciliares, oferece gratuitamente o medicamento utilizado no tratamento e acompanha a evolução dos animais diagnosticados com a doença. Os resultados foram apresentados ao prefeito Gustavo Zanatta, que destacou a importância da iniciativa e elogiou o trabalho.
Desde janeiro até 22 de setembro deste ano, 454 animais foram atendidos pela equipe. Desse total, 283 permanecem em monitoramento ou tratamento, enquanto 107 já receberam alta médica. Em 24 casos, os exames deram negativo, em 10 ainda não chegaram e o restante refere-se a animais que morreram ou desapareceram. Ao longo do trabalho, foram distribuídas 29.785 cápsulas de itraconazol, medicamento utilizado no tratamento da esporotricose.
Um dos diferenciais é a oferta do medicamento de forma gratuita a todos os animais infectados, independentemente da condição social dos tutores. A mesma política é aplicada aos pacientes humanos diagnosticados com a doença.
Segundo a coordenadora da Vigilância em Saúde, Patrícia Barros, a estratégia permite que o Município atue diretamente sobre uma das principais formas de transmissão da doença. O animal infectado permanece em ambiente domiciliar, recebe a medicação e é acompanhado pelos profissionais até a conclusão do tratamento. “Nosso objetivo é impedir surtos, orientar as famílias e garantir que o animal receba o tratamento adequado até a alta”, explica Patrícia.
A esporotricose é uma micose profunda causada por fungos do gênero Sporothrix, que pode atingir a pele, o tecido subcutâneo e os vasos linfáticos. Os gatos estão entre os principais transmissores da infecção, que pode ocorrer por meio de arranhaduras, mordeduras ou contato com secreções das lesões. Como o tratamento pode durar de três a seis meses, o acompanhamento é considerado fundamental para evitar a interrupção da medicação, a permanência do animal como fonte de infecção e possíveis recidivas.
Atendimento diretamente nas residências
O programa Melhor em Casa Animal foi estruturado para aproximar o serviço de Vigilância em Saúde das famílias e dos animais que necessitam de acompanhamento. A equipe realiza uma visita técnica, registra individualmente cada caso e classifica a situação para definir a melhor estratégia de tratamento.
Durante a visita, os profissionais também observam as condições do ambiente, os locais onde o animal permanece, a existência de outros Pets e a possível exposição de crianças e pessoas vulneráveis.
Além da entrega do medicamento, os tutores recebem orientações sobre administração correta do tratamento, isolamento do animal e cuidados durante o manejo. A equipe veterinária acompanha a evolução e realiza novas visitas até que o animal esteja apto a receber alta.
Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone 3632 1113.
Isolamento ajuda a interromper a transmissão
Uma das principais orientações é evitar que o animal infectado circule livremente pelo ambiente externo durante o período de tratamento. Mantido em local adequado, medicado e sob acompanhamento, o gato deixa de ter contato com outros animais e reduz o risco de disseminação da doença.
Quando a família não dispõe de uma gaiola, são buscadas alternativas para impedir que o animal saia para a rua e tenha contato com outros bichos. A orientação individualizada permite que a equipe encontre, junto aos tutores, a melhor forma de realizar o isolamento dentro das possibilidades de cada residência.
“Um animal doente dentro de casa, isolado e sendo medicado, não está circulando pelo ambiente espalhando a doença. Por isso, a orientação correta aos tutores é uma parte fundamental do nosso trabalho”, destaca Patrícia.
Prevenção também para os tutores
A atuação da Vigilância não se limita aos animais. Pessoas que contraíram esporotricose também recebem acompanhamento e tratamento gratuito pelo Município.
De acordo com Patrícia, Montenegro chegou a registrar 57 casos humanos de esporotricose. Atualmente, o número de pessoas em acompanhamento é muito menor (19), resultado que, segundo ela, demonstra a importância das ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e controle dos animais infectados.
A maioria dos casos humanos registrados está relacionada ao contato com gatos doentes, especialmente por meio de mordeduras e arranhaduras.
Tratamento sem distinção social
Outro aspecto destacado pela coordenadora é o caráter universal da iniciativa. Conforme Patrícia, Montenegro é o único município, entre os participantes de uma recente reunião envolvendo municípios da Grande Porto Alegre e da região do Vale do Caí, a oferecer a medicação para animais e pessoas diagnosticadas sem estabelecer critério de renda.
“Qualquer pessoa que tenha um animal com esporotricose recebe o tratamento. Não precisa comprovar baixa renda”, afirma.
A medida busca evitar que dificuldades financeiras, falta de transporte ou falta de informação impeçam o tratamento adequado e prolonguem a permanência do animal como fonte de transmissão.